
MÃE

Nunca te esqueço os dedos
de veludo,
Quando me carregavas no regaço...
Cai da imensidão do Espaço,
Qual pássaro da noite triste e mudo.
Cresci... Estás em tudo
quanto faço...
No entanto, abandonei o lar, o estudo,
Até que do prazer me desiludo
Arrasado de tédio e de cansaço.
Onde a estrela sublime do
Universo,
Em que sintas a dor que há no meu verso?
Vem a mim, alma linda!... Vence a bruma!...
Quanto amor temos nós no
mundo inquieto,
Desde a ligeira estima ao grande afeto,
Mãe, porém, ante Deus, só se tem uma.

Antonio Barros

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