
NAMORAR

Quem namora agrada a Deus.
Namorar é a forma bonita de viver um amor.
Não namora quem cobra nem
quem desconfia.
Namora, quem lê nos olhos
e sente no coração as vontades saborosas do outro.
Namora, quem se embeleza
em estado de amor.
A pele melhora, o olhar com brilho de manhã.
Namora, quem suspira, quem
não sabe esperar, mas espera, quem se sacode de taquicardia e timidez diante da
paixão.
Namora, quem ri por
bobagem, quem entra em estado de música da Metro, quem sente frios e calores nas
horas menores recomendáveis.
Não namora quem ofende,
quem transforma a relação num inferno, ainda que por amor.
Amor às vezes entorta, sabia?
E quando acontece, o feito para bom faz-se ruim.
Não namora quem só fala em
si e deseja o parceiro(a) apenas para a glória do próprio eu.
Não namora quem busca a compreensão para a sua parte ruim. O invejoso(a) não
namora.
Tampouco o violento!
Namorados que se prezam
tem a sua música.
E não temem se derreter quando ela toca.
Ou, se o namoro acabou, nunca mais dela se esquecem.
Namorados que se prezam
gostam de beijo, suspiro, morderem o mesmo pastel, dividir a empada, beber no
mesmo copo.
Apreciam ternurinhas que matam de vergonha fora do namoro ou lhes parecem
ridículas nos outros.
Namora, quem começa a ver
muito mais no mesmo que sempre viu e jamais reparou.
Flores, árvores, a santidade, o perdão, Deus, tudo fica mais fácil para quem
sabe de verdade o que é namorar.
Por isso só namora quem se
descobre dono de um lindo amor, tecido do melhor de si mesmo e do outro.
Só namora quem não precisa
explicar, quem já começa a falar pelo fim, quem consegue manifestar com clareza
e facilidade tudo o que fora do namoro é complicado.
Namora, quem diz:
"Precisamos muito conversar"; e quem é capaz de perder tempo, muito tempo, com a
mais útil das inutilidades e pensar no ser amado, degustar cada momento vivido e
recordar palavras, fotos e carícias com uma vontade doida de estourar o tempo e
embebedar-se de flores astrais.
Namora, quem fala da
infância e da fazenda das férias, quem aguarda com aflição, o telefone tocar e
dá um salto para atendê-lo antes mesmo do primeiro trim.
Namora quem namora, quem à
toa chora, quem rememora, quem comemora datas que o outro esqueceu.
Namora que é bom, quem gosta da vida, de nuvem, de rio gelado e de parque de
diversões.
Namora quem sonha, quem
teima, quem vive morrendo de amor e quem morre vivendo de amar.

Artur da Távola

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