
O
QUE É ANSIEDADE AFINAL?

Muito se fala sobre a tal
ansiedade, mais o que é ansiedade afinal? Para escrever este artigo, saí por aí
perguntando às pessoas, e reproduzo abaixo algumas das respostas que obtive:
- É uma agitação interna,
um desconforto.
- É uma coisa que se agita
no meu estômago.
- É quanto eu sinto
vontade de sair correndo para fazer algo... só não sei o que.
- É uma espécie de
nervosismo, me dá um tremor.
- É uma coisa que não me
deixa em paz, me faz sentir mal.
- É quando eu sinto que
algo ruim vai acontecer, mesmo sem saber o que poderia ser.
- É algo que eu sinto
quando estou esperando muito por alguma coisa.
- É um monstrinho caolho
que não pára de se mexer
* Ok, eu assumo... esta resposta foi minha mesmo!
Com certeza você já se
sentiu ansioso um dia. Você consegue se lembrar da última vez em que se sentiu
ansioso? Talvez esteja se sentindo assim agora mesmo.
Bem, pense comigo... dizer
que sentimos ansiedade não refresca em nada o nosso entendimento sobre o
assunto. O que é ansiedade afinal? Se você observar bem, vai perceber que a
ansiedade não é algo que eu possa nomear claramente - um sentimento como a
RAIVA, por exemplo. Se estou com raiva, sei exatamente que sentimento é esse. O
mesmo com TRISTEZA, CIÚME, INVEJA.
Perceba, esses sentimentos
são claros para nós, mas a ANSIEDADE é sempre nebulosa, e como não conseguimos
de fato tocar seu significado, nos sentimos mais facilmente aprisionados por
ela.
É como um véu que cai
sobre nós, que atrapalha nossos movimentos, que nos rouba o ar, que cega nossa
visão. Logo, o primeiro passo que precisamos dar para nos libertarmos, é retirar
o véu e dar uma boa olhada na cara dessa tal ansiedade. Venha comigo, vamos
puxar a ponta desse véu juntos e ver o que se esconde lá embaixo?
Bem, dei uma boa puxada e
vi claramente um monstro meio caolho, ele tem uns cinco pés que não param de se
mexer... e de cada braço saem quatro mãos que ficam o tempo todo a controlar
todas as coisas. Ele quer, ao mesmo tempo, praticar cooper, anotar coisas,
escrever um livro, digitar um texto no micro, coçar a barriga e apontar o dedo
assustadoramente na minha direção por expondo-o dessa maneira. Uau... é uma
visão e tanto!!! Assim é a ansiedade, e a primeira palavra que me ocorre para
falar do tal monstrinho é a palavra CONTROLE.
A ansiedade está
diretamente relacionada à nossa necessidade de ter controle sobre tudo. Queremos
ter controle não só do que pensamos, somos e fazemos, mas também controle sobre
o que os outros são, pensam e fazem! Queremos ter controle sobre o que vai nos
acontecer e, se bobear, queremos ter controle até mesmo sobre o tempo! (Você já
percebeu como às vezes sofremos pensando se fará sol ou não no fim de semana?)
Quanto desperdício de
energia!
Bem, se fosse só
desperdício de energia, até que não seria tão mal... mas o fato de queremos ter
controle sobre coisas que não podemos controlar (porque não podemos controlar a
vida, certo?) faz com que a gente comece a sentir... MEDO! Funciona mais ou
menos assim...
Sara começa a namorar
Roberto, que parece bem bacana... Os dois tem saído juntos e se divertido muito,
sentem uma afinidade entre eles, riem juntos, simplesmente curtem os momentos a
dois... até que recebem um convidado inesperado... um certo monstrinho caolho,
cheio de pés e mãos que se movem o tempo todo. O monstrinho faz Sara pensar em
todas as coisas que ela quer que aconteçam, e em como ela quer que aconteçam
rápido... "JÁ", de preferência!
Então Sara começa a achar
que Roberto TEM QUE SER o homem de sua vida. (perceba, não é que ele possa
ser... ELE TEM QUE SER!!!)
Ela começa a achar que só
vai ser feliz se Roberto ficar com ela até que a morte os separe. No mesmo
instante em que começa a querer muito isso, passa a querer controlar as
situações de vida para que isso aconteça. Começa a observar se Roberto está
sentindo o mesmo que ela, e começa a sentir MEDO de que não seja assim. E aquele
romance, inicialmente leve e gostoso começa a ficar tingido pelo peso do
controle e pelo medo do término. E Sara olha no espelho e vê em si mesma a
agitação de mil pés e mãos, querendo agarrar E CONTROLAR o futuro, com MEDO de
não conseguir... e a isso chamo de ansiedade.
Nada disse aconteceria se
ela não tivesse tanta preocupação com o que aconteceria no futuro, se curtisse
os momentos gostosos, e só. Porque, afinal, é a única coisa que ela pode mesmo
fazer. Quem pode nos dar qualquer garantia do que está por vir? Quem pode nos
dar certeza de que encontramos a pessoa dos nossos sonhos, ou que essa pessoa
estará lá para sempre, ou que estamos no emprego perfeito, ou que...
O mesmo acontece em
inúmeras situações. E nos sentimos ansiosos porque queremos que o nosso emprego
seja perfeito, e porque queremos que não chova amanhã, e porque queremos que as
coisas se resolvam da forma como imaginamos, exatamente no prazo que imaginamos.
Parecemos crianças exigindo que a vida se dobre a nossos desejos! Queremos que
TUDO seja exatamente como queremos! E ficamos ansiosos. E sofremos.
EXIGIMOS QUE A VIDA SE
DESDOBRE COMO UM TAPETE AOS NOSSOS PÉS.
Não temos a humildade de
confiar na vida, de confiar que tudo acontece da melhor maneira. Não conseguimos
simplesmente fazer o nosso melhor e nos contentar com isso. (Percebam, eu não
estou sugerindo que a gente simplesmente cruze os braços e se deite sob uma
palmeira esperando a vida resolver os nossos problemas! Sim, devemos fazer os
movimentos necessários, fazer o nosso melhor. Mas feito isso... precisamos
aprender a entregar à vida o nosso futuro, porque é assim que é, gostemos ou
não.)
Ouça essa verdade: A vida
é feita de incertezas, e enquanto não aprendermos a aceitar isso, seguiremos por
ela ansiosos, sentindo o hálito quente de um monstrinho caolho bem atrás de
nós!!!

Patrícia Gebrim

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